Sunday, February 25, 2007

Recital e Colóquio sobre a Novíssima Poesia Portuguesa na S. N. B. A.

António José Forte

Fernando Ribeiro de Mello organizou no dia 26 de Outubro de 1963, na Sociedade Nacional de Belas Artes, um Recital e Colóquio sobre a Novíssima Poesia Portuguesa. António José Forte esteve presente e sobre o evento publicou um artigo no jornal, O Templário, de Tomar, com data de 17 de Novembro de 1963. O texto (que se apresenta em baixo) está incluído na edição Uma Faca nos Dentes, da Parceria A. M. Pereira, «livro, que é, com os dispersos e inéditos que incorpora, a edição definitiva da obra de António José Forte.»


Sábado, 26 de Outubro de 1963, 21,45 horas, Sociedade Nacional de Belas Artes, Lisboa. Recital e Colóquio sobre a Novíssima Poesia Portuguesa. Organização de Fernando Ribeiro de Mello. Recitadores: o organizador, Norberto Barroca, Diogo Ary dos Santos e Madalena Vieira, que não compareceu por se encontrar doente. Para o colóquio tinham sido convidados, para funcionarem como orientadores críticos, David Mourão-Ferreira, presente; Alexandre Pinheiro Torres, que justificou a falta comunicando ter de comparecer num noivado no Norte do País; João Palma-Ferreira, ausente; Natália Correia, presente; Álvaro Salema que, embora tendo prometido ir, se não chovesse, não apareceu; Alexandre O´Neill, que faltou mas apresentou atestado médico; António Quadros, que justificou a falta informando ter de estar em Mirandela para inaugurar uma Biblioteca da Fundação Gulbenkian; Maria Teresa Horta, ausente, por guardar o leito; Gastão Cruz, ausente; Dórdio Guimarães e José Terra, presentes.
Estamos convencidos que o título «Novíssima Poesia Portuguesa» escondia, mal, uma intenção polémica. Doutro modo não se compreende o emparceiramento de Manuel da Fonseca com Natércia Freire, Sebastião da Gama com Natália Correia, Eugénio de Andrade com Salette Tavares, Cesariny com Couto Viana. A não ser que tenha sido a distracção que presidiu a tão inesperados acasalamentos.
Riscados no programa Jorge de Sena, um poema de Cesariny, outro de António Maria Lisboa, Goulart Nogueira, João Rui de Sousa, um poema de José Carlos Ary dos santos, outro de José Terra. Herberto Helder não foi dito, apesar de anunciado, ao que nos informaram, por o ter proibido por carta. Manuel de Castro, também incluído, ficou inexplicavelmente no silêncio.
O recital começou com um poema de José Gomes Ferreira, poeta invisível no programa. Seguiram-se depois 46 poemas correspondentes a 37 autores. Contrariamente ao que de início se poderia supor, a recitação atingiu bom nível, principalmente da parte de Ribeiro de Mello. Embora por vezes tenha deslizado apara a má teatralizarão, soube sempre, ou quase sempre, compreender os poemas e dizê-los em conformidade com essa compreensão. Também Diogo Ary dos Santos teve um início hesitante, mercê talvez do nervosismo e da intimidação que o microfone costuma causar a quem ao mesmo não está habituado. Afinal, acabou por dizer bem, num estilo sóbrio, diferente do de Ribeiro de Mello. Norberto Barroca é que ficou muito aquém dos companheiros, os poemas que lhe couberam dizer saíram por isso bastante desvalorizados.
Terminado o recital houve um intervalo. Depois novamente Ribeiro de Mello apareceu no estrado. Vinha explicar as razões, profissionais uma, de ordem medicinal outras, porque não se encontravam presentes sete dos onze orientadores críticos convidados, e que se tinham comprometido a comparecer. Fê-lo, porém, em termos irónicos, exactamente no tom de quem não acreditava nas desculpas dos ausentes, antes as considerava simples pretextos para escaparem aos debates. Quando se demorava a insinuar que talvez Pinheiro Torres não estivesse realmente num noivado no Norte do País, foi interrompido por Armindo Rodrigues. O autor de «Retrato de Mulher» achava que o organizador estava a ser deselegante, quiçá grosseiro; que nada o autorizava a duvidar das razões apresentadas pelos ausentes, e que, como estava cansado, segundo já afirmara duas ou três vezes, o melhor seria descansar; enfim, que para ser bonito devia ficar por ali. Ribeiro de Mello ficou por ali... no respeitante ao seu cepticismo.
Foi então dada a nota paúlica por um jovem de «pêra» loura e programa em riste, que queria saber porque não fora incluído no programa Luís Veiga Leitão, o autor de «Noite de Pedra», e no mesmo se podia ler o nome de Salette Tavares, «uma senhora que ninguém conhecia». Foi-lhe respondido pelo organizador que, como era de ver, não podiam fazer parte do recital todos os poetas. Mas o jovem estava possesso e insistia na sua: queria Veiga Leitão, ele próprio se oferecia para dizer Veiga Leitão. E a um gesto convidativo de Ribeiro de Mello disparou para o estrado, sob quentes aplausos da assistência. Mal, porém, dissera dois versos dum poema de Veiga Leitão, foi interrompido. Um membro da direcção da S. N. B. A. alegou que o poema não fora censurado e que isso podia trazer graves consequências. Quentes aplausos concordantes da assistência e saída melodramática pela esquerda alta do jovem da «pêra» loura. Afinal Salette Tavares, «a senhora que ninguém conhecia», estava presente. Um senhor de «pêra» preta, que depois soubemos ser David Mourão-Ferreira, levantou-se parlamentarmente e pediu, como sinal de desagravo pela afronta de que fora vítima, uma salva de palmas par autora de «Espelho Cego». A assistência salvou generosamente.
Voltou então Ribeiro de Mello a falar. Achava que devia haver colóquio e por isso convidava Armindo Rodrigues, Luís Francisco Rebello, Urbano Tavares Rodrigues, Salette Tavares e Vasco da Costa Marques a fazerem parte da mesa de orientadores críticos juntamente com os nomes já incluídos no programa e presentes: David Mourão-Ferreira, Natália Correia, Dórdio Guimarães e José Terra. Uma vozinha esvoaçou sobre a assistência para protestar por não fazer parte da mesa nenhum representante ultramarino, que propunha fosse Mário António. Parece que outra vozinha sugeriu para a mesa o nome de do monárquico-católico-fascista Goulart Nogueira. Armindo Rodrigues responde à vozinha ultramarina dizendo que, todos os dias e várias horas, ouvia e lia que a nação era una e indivisível, donde ter de considerar a proposta descabida e especiosa. Entrou então de serviço um senhor de gabardine que começou por dizer que estávamos em guerra, que Portugal era vítima de uma invasão, que a Pátria estava em perigo e que, visto isto, a Pátria não podia alhear-se da vida. Este arrazoado mercenário e mentecapto colheu Armindo Rodrigues distraído. O autor de «Voz arremessada ao caminho» levou a intervenção sério, o que teve por consequência esmerar-se e exceder-se na resposta. Esmerou-se, porque o tal arrazoado não passava disso, e excedeu-se ao declarar que não autorizava que houvesse alguém na sala mais patriota que ele. (Os despropósitos que a palavra Pátria leva a cometer!) E exaltado, patriótico, larga um «Por amor de Deus!» que o deixou estarrecido e que justificou titubeantemente afirmando que era ateu, que aquela frase afinal só revelava o seu portuguesismo. (Várias vezes o senhor da gabardina tentou intervir, até que a assistência percebeu que ele estava ali de serviço mais a sua gabardine, e nunca mais o deixou falar.)
Urbano Tavares Rodrigues tomou a palavra para afirmar que a arte tinha de ser, era sempre humanista, interessada, embora esse interesse fosse duma maneira nas repúblicas socialistas e doutra nas democracias capitalistas; que Portugal, por estar à margem daqueles dois padrões, forçosamente exigia da arte uma terceira forma de interesse; que o poeta só era criador quando escrevia poemas. Esta última afirmação causou, justificadamente, engulhos a um jovem, que se levantou para perguntar se o poeta fora do momento da criação não o continuaria ser. Esta interrogação a pintava com vigor o que devia ser o fulcro do colóquio. Natália Correia tomou a iniciativa de responder ao jovem. No entanto, em vez de aproveitar a deixa, desenvolvê-la e a levá-la o rubro, como julgamos que era seu dever, misteriosamente limitou-se usar um tom maternal a dizer que sim senhor, o poeta era-o sempre. Interveio ainda outro jovem, citando logo de entrada Lucacks, mas confessamos ter compreendido mal a sua exposição. Das intervenções de David Mourão-Ferreira e Salette Tavares – formalmente brilhante a do primeiro e apagada a da segunda – deduziu-se facilmente que o que interessava da Poesia é estar cristalizada em forma de peça literária. Do que está antes e depois do poema é melhor não falar, por causa dos fantasmas.
Um senhor, que afinal era engenheiro e até tinha um lindo nome francês, interveio para declarar as seguintes várias coisas importantes: já tinha uma certa idade (via-se), era careca (via-se também), andava há uma data de anos a tentar compreender a poesia moderna (que ele designava pomposamente por abstracta) e por mais esforços dispendidos não conseguia lobrigar-lhe lógica. Armindo Rodrigues explicou-lhe o caso contando uma anedota verdadeira passada com ele e com um amigo falecido; rematou informando o engenheiro que havia várias lógicas.
Também o monárquico-católico-fascista Goulart Nogueira pediu a palavra para expor a sua tese: grande poesia maior e grande poesia menor, tese que Jorge de Sena igualmente partilha. Menos talvez por causa da tese do que pelo expositor, parte da assistência começou a abandonar a sala.
Entretanto fez o seu aparecimento no estrado um senhor, professor de Liceu, desembaraçado, folião, que queria saber porque é que, estando em letra redonda no programa «Recital e Colóquio sobre a novíssima Poesia Portuguesa», ninguém falava dos poemas ditos ali. Perguntou isto várias vezes, em vários tons, e voltando-se ora para a assistência ora para David Mourão-Ferreira. Este, que o conhecia muito bem, explicou-lhe sorridentemente que sim senhor tinha razão, mas a pergunta implicava estoutra: o que é novíssima Poesia? E terminou afirmando que a intervenção do professor fora «judiciosa» e «jocosa». Chegara-se ao final dos debates falhados – judiciosa e jocosamente.

Saturday, February 24, 2007

Manuel João Gomes


Manuel João Gomes (MJG) nasceu em Coimbra em 1948 e faleceu a 5 de Fevereiro do corrente ano, na mesma cidade, com uma broncopneumonia. Foi crítico de teatro no Cinéfilo, Letras e Artes, e Público. Foi um dos fundadores do Grupo de Teatro de Campolide e afirmou-se como tradutor profissional. Evocando a sua actividade como crítico de teatro, é de ler um texto de Luís Miguel Cintra, publicado no caderno P2 do Público (página 16, dia 12 de Fev. de 2007), onde o actor e director do Teatro da Cornucópia recorda MJG: «Foi talvez de todos os críticos, o mais discreto, o mais modesto, o mais militante. Foi na crítica de teatro uma espécie de doce guerrilheiro». «A sua actividade como crítico rompeu as regras. Viu talvez mais que ninguém todos os espectáculos, sem nenhuma hierarquia».
Mas, aqui, interessa-nos sublinhar a colaboração nas Edições Afrodite, contribuindo para a qualidade de algumas das publicações de Fernando Ribeiro de Melo:

· Com José Vaz Pereira, traduziu, anotou e escreveu a introdução para as Aventuras de Alice no País das Maravilhas (1971). Na segunda edição (1976), escreveu o posfácio
· Traduziu alguns dos textos da Antologia do Humor Negro de André Breton, 1973
· Foi responsável por um dos comentários, a coordenação, pontuação e ortografia de O Processo dos Távoras: A Expulsão dos Jesuítas, 1974
· Traduziu e escreveu um dos comentários de
Sobre as Feiticeiras de Jules Michelet, 1974
· Coordenou e redigiu a introdução à Nova Recolha de Provérbios e Outros Lugares Comuns Portugueses, 1974
. Com Eva Caldeira, traduziu A Malcastrada, de Emma Santos
· Traduziu alguns contos de O Sexo na Moderna Ficção Científica, 1976
· Traduziu a 2ª edição de A Filosofia na Alcova do Marquês de Sade, 1976

No catálogo da
Antígona são suas as traduções de:

· A Verdade – Marquês de Sade, (em parceria com Luiza Neto Jorge)
· Mea Culpa / Céline de Camisa Castanha – Louis-Ferdinand Céline / H. - E. Kaminski,
· Gerónimo Por Ele Próprio – Gerónimo
· A Filosofia na Alcova - Marquês de Sade, (reedição da tradução para as Edições Afrodite em 1976)
· Os 120 Dias de Sodoma - Marquês de Sade (reedição da edição de 1975 da Arcádia)
· Justine ou os Infortúnios da Virtude - Marquês de Sade
· A Desobediência Civil / Defesa de John Brown – H. D. Thoreau
· Matar Não é Crime – Edward Sexby
· Discurso Sobre a Servidão Voluntária – Étienne De La Boétie
· Nós – Evgueni Zamiatine
· Os Ciganos – Claire Auzias

Muito para além destes trabalhos, deixou uma vasta obra como tradutor, com destaque para o Prémio PEN Clube de tradução que recebeu em 1988, por A Vergonha, de Salman Rushdie. Na
& ETC (da qual Fernando Ribeiro de Mello foi um dos fundadores), MJG editou dois livros: Almanaque dos Espelhos e Os Segredos da Jacinta. Para esta editora, destacamos a tradução das Mensagens Revolucionárias de Antonin Artaud, numa edição onde elaborou uma cronologia do autor francês e escreveu um interessante posfácio: Viagem Alfabética ao México e à Revolução na Companhia de Artaud Actor e Poeta Surrealista. Em 1976 organizou e anotou para a Colecção Curiosa, da extinta Arcádia, a antologia Os Bons Velhos Tempos da Prostituição em Portugal, a partir de textos e gravuras da História da Prostituição em Portugal, de Alfredo Amorim Pessoa, Lisboa, 1887. São as notas de MJG à antologia (reeditada em 2006 em conjunto pela Antígona e Frenesi), que a tornam numa edição particular e de divertida leitura, especialmente pela forma implacável como denúncia a moral viciosa, a «trafulhice» e a leviandade do historiador(?) Alfredo Amorim Pessoa. E é curioso, como, anotando Alfredo Amorim Pessoa, Manuel João Gomes se anota si próprio, revelando muito do seu olhar sobre do mundo que o rodeia.

Wednesday, February 21, 2007

José Agostinho de Macedo - A Besta Esfolada


A Besta Esfolada é um Blog dedicado ao Padre José Agostinho de Macedo. Foi criado no final de 2006 e merece umas visitas atentas. Nas Edições Afrodite, o Padre foi um dos escolhidos por Natália Correia para a Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica:

O Padre José Agostinho de Macedo nasceu em Beja (1761) e morreu em Lisboa (1831). Professou na Ordem de Santo Agostinho, mas o seu carácter indisciplinado e pouco escrupuloso determinou a sua expulsão, conseguindo passar a presbítero secular. Convertido a feroz paladino do Miguelismo, nele empenhou o seu iracundo temperamento de polemista, encarniçando-se contra os pedreiros livres com implacável sectarismo. Fez parte da Nova Arcádia ingressando mais tarde na Arcádia de Roma, com pseudónimo literário de Elmiro Tagideu. Ostentando uma grande erudição filosófica e científica, dela se socorreu para a composição dos poemas didácticos «A Natureza», «Newton», «Viagem ao Templo da Sabedoria». A sua desmedida presunção literária levou-o a apoucar os «Lusíadas», tentando sobrepor-lhe uma epopeia, «O Oriente», de metrificação exemplar mas monótona que prejudica a grandiosidade da concepção da obra de leitura assaz enfadonha. Impiedosamente satírico, neste tom vasou os humores da sua virulência, dirigindo uma sátira a Bocage que lhe respondeu com «Pena de Talião». Em «Os Burros» (1827), José Agostinho de Macedo foca a tertúlia do botequim de José Pedro da Silva, no Rossio, escolhendo para herói o liberal João Bernardo Loureiro da Rocha, sócio de Pato Moniz no fomento da Imprensa revolucionária da época. É incontestável ser este poema uma das obras de maior vulto da polémica parodística, à qual oferece das mais inflamadas páginas concebidas pelo génio malévolo da sátira.

Está também na
Poesia Portuguesa Erótica e Satírica – Séc. XVIII-XIX, apresentado por José Martins Garcia:

José Agostinho de Macedo, padre por acaso, fulminador do mundo por formação e vocação, em vez de aterrorizar as gentes com a pintura dos caldeiros infernais, resolveu aterrorizá-las com uma violenta má-língua. No campo da sátira, ele é o maior especialista do bota-abaixo, atacando às cegas, destruindo por destruir, marrando com uma raiva de touro. Em termos plásticos: um padre sanguíneo, anafando, bruto, em vias de arrotar anátemas.
Feroz reaccionário, por teimosia e por tradição do solo, se por vezes se torna notável por não ter papas na língua, quase sempre destrói por embirração, nada lhe importando os fundamentos da crítica. Um campo onde Macedo se move como peixe na água: o das polémicas literárias (ou passando por tal) do seu tempo. Claro que como crítico literário, o nosso padre não percebe nada de literatura (o que se integra nos usos e costumes da «colónia» lusitana). Se amaldiçoa Napoleão, não é por causa dos mortos, é porque as campanhas napoleónicas trouxeram ao recato lusitano a «peste» do liberalismo. Sobre todas as matérias, o padre Macedo sabia tudo (o que é também muito característico da nossa intelectualidade e dos nossos homens providenciais). Nenhuma hesitação, nenhuma dúvida. Parece quer nunca leu Kant, mas criticou-o, elogiando e depois denegrindo, consoante a disposição de espírito. Um exemplar insigne da nossa cultura!

Wednesday, February 07, 2007

Guia Prático do Trabalhador Português, de Francisco Marcelo Curto

(edição de Abril de 1974)


Capa de Boavida de Carvalho
Colecção Guias
Edição e arranjo gráfico: Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite

Na Contracapa

Colecção Guias
Textos informativos.
Manuais acessíveis, abertos, práticos, vivos, úteis para ajudar a compreender claramente questões ou problemas.
Que poderão ser os de aqui e agora.
Para todos.

Guia Prático do Trabalhador Português:
As preocupações fundamentais na elaboração deste livro foram as de pôr nas mãos dos trabalhadores um pequeno manual prático, para consulta fácil e imediata, dos pontos principais de regulamentação legal das relações do trabalho.
Toda a sua exposição orientou-se no sentido exclusivo de dar a conhecer em tempos acessíveis, aos trabalhadores, aos dirigentes sindicais e a todos os que se decidiram pela defesa dos direitos e interesses da classe trabalhadora as formas e actuação e o que, na lei, há de mais favorável para esses mesmos direitos e interesses.

Cintas - II

Voltamos a apresentar mais algumas cintas promocionais das Edições Afrodite:


As Crianças Falam, recolha e selecção de textos por Adriana Areal Calvet e Elsa Anahory, 1973



O Processo dos Távoras: A Expulsão dos Jesuítas, Conselho de Ministros de D. José I, 1974



A 3ª Guerra Mundial Já Começou – Jacques Bergier, 1977




Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica: dos cancioneiros medievais à actualidade – Selecção, prefácio e notas de Natália Correia. Ilustrações de Cruzeiro Seixas, 1966

José Martins Garcia


José Martins Garcia foi um dos mais assíduos colaboradores de Fernando Ribeiro de Mello nas Edições Afrodite. Desde início da actividade editorial nos anos 60, até aos anos 70, construiu uma obra nas Edições Afrodite, onde publicou os seguintes livros: Alecrim, Alecrim aos Molhos… (1974), Lugar de Massacre (1975), A Fome (1977) e Revolucionários e Querubins (1977). Foi responsável pelo prefácio da Antologia de Poesia Latina Erótica e Satírica e escreveu comentários a diversas edições, entre as quais, ao Mein Kampf, de Adolf Hitler. Traduziu Rol de Cornudos, de Camilo José Cela e O Socialismo: Fenómeno Mundial de M. Igor Chafarevitch. Fez ainda a selecção e prefácio da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica dos Séc. XVIII e XIX e a revisão literária a Eu Pertenci ao K.G.B, de Aleksei Myagkov.

Nasceu na Criação Velha, Ilha do Pico, a 17 de Fevereiro de 1941, tendo feito uma parte dos seus estudos liceais na cidade da Horta. Em Lisboa, licenciou-se em Filologia Românica pela Faculdade de Letras, onde viria a leccionar entre 1971 e 1977. Chamado a cumprir serviço militar em 1965, foi mobilizado para a Guiné-Bissau, aí permanecendo de 1966 a 1968, experiência que se projecta literariamente em Lugar de Massacre (1975), um dos primeiros romances portugueses a abordar a guerra colonial, numa perspectiva paranóica e demencial; essa experiência acabaria por pontuar, sob variadas formas e em diferentes circunstâncias, a sua obra literária.
Entre 1969 e 1971 foi leitor de Português na Universidade Católica de Paris, e em 1979 rumaria aos Estados Unidos como professor convidado da Brown University (Providence), aí permanecendo até 1984; o rasto desse tempo americano é detectável em Imitação da Morte (1982) e no belíssimo e devastador livro de poemas Temporal (1986).
De seguida, ingressou na Universidade dos Açores, em cujos planos de estudo das licenciaturas introduziu a cadeira de Literatura e Cultura Açorianas e onde se doutorou com uma tese sobre Fernando Pessoa; nesta Universidade terminou a sua carreira académica como Professor Catedrático, tendo ainda ocupado o cargo de Vice-Reitor e dirigido a revista Arquipélago, do Departamento de Línguas e Literaturas Modernas. Faleceu em Ponta Delgada a 4 de Novembro de 2002.

Biografia daqui, onde está mais completa.

As Feiticeiras por Maria Teresa Horta


capa da edição da Actes Sud

Um poema de Maria Teresa Horta e a partitura que sobre ele criou António Chagas Rosa deram origem a Les Sorciéres/Feiticeiras”, obra ouvida em França e agora editada pela Actes Sud em edição bilingue. O suplemento do Diário de Noticias, 6ª (19 de Janeiro de 2007), publicou um artigo sobre esta edição. Para tal, Ana Marques Gastão e Bernardo Mariano conversaram com os autores. Maria Teresa Horta voltou a falar sobre As Feiticeiras de Jules Michelet:

«As feiticeiras tinham poderes de compaixão, de curar, o trato com as ervas e as flores. Eram as parteiras da aldeia, os médicos do povo. Daí advinha a sua força.»

«Michelet dizia no séc. XVIII que as feiticeiras eram muito importantes e que a Inquisição, queimando-as, deixou aldeias vazias. Muitas mulheres diziam ser feiticeiras não sendo, porque era uma forma de aceder a uma identidade própria»

Fernando Ribeiro de Mello editou em 1974 o clássico de Michelet, com quatro comentários. Um desses escritos, intitulado As Mulheres: Feiticeiras é de Maria Teresa Horta, do qual aqui recordamos alguns excertos:

«Pediram-me um texto para acompanhar, entre outros, a tradução para português de «A Feiticeira»
(sic) de Michelet: e pediram-me esse texto, porque sou feminista: feminista militante, doa a quem doer, sejam quais forem as pedradas que receba nas costas. – É, pois, como feminista que aqui deixarei o meu testemunho, testemunho não propriamente sobre o texto (admirável) de Michelet e seu maior ou menor valor literário, mas somente, testemunho, ou antes: chamada de atenção para a singularíssima figura das feiticeiras e seus lúdicos grupos, mágicas maneiras de evasão da sociedade; mundo, universo que as oprimia, as subjugava... Mansamente as destruía: mulheres uma a uma, em suas casas, cabanas, grutas, castelos, conventos: universo de todas nós e que só a nós diz respeito. Nossas prisões por vezes tecidas a fio de seda; grades e grades de ouro... mas não só.»

«...as feiticeiras, primeiras mulheres, primeiros grupos de mulheres para quem olhou o mundo. E sobre elas o mundo debruçou seu poder de macho, destruindo-as.»

«Ao se assumir feiticeira, ganhava a mulher um estatuto, uma força, que a ordem social sempre lhe negara. Ao se afirmar feiticeira, ao se entregar até às práticas ocultas, recusava a mulher a vida que lhe era imposta. Ao entrar em êxtase, atingia ela uma realização que lhe era proibida como mulher.»

«Mas outras mulheres viriam, ainda: nós as feministas...
- As feiticeiras – as sufragistas... –
Nós: grupos de mulheres e grupos de mulheres, gritando pelo mundo o uso que se tem feito de nossos corpos e vontade; de nossas vidas e verdadeira personalidade.»

«Eis o que tem sido feito e se continua hoje ainda fazer à mulher (que outra coisa entre tantas outras, a proibição do aborto legal?).»

M.T.H.
Lisboa, 29-10-1974

Bold nosso

Saturday, February 03, 2007

Onde há livros Afrodite - III

Apresentamos mais alguns sítios on-line, onde se encontram livros das Edições Afrodite:

No sítio de leilões, Miau, há em Livros/Literatura/Poesia, uma Antologia do Humor Português.

No site da
Livraria Apolo 70, numa busca por editor, há para venda um exemplar de Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente de Natália Correia.

A Livraria
Académica do Porto, tem no seu catálogo de Literatura Portuguesa, um exemplar de O Vinho e a Lira de Natália Correia.

Entre muitas valiosas raridades de Fevereiro na
In-Libris, há também um exemplar de O Vinho e a Lira.