Thursday, July 27, 2006

Apocalipse do Apóstolo João

(edição de Dezembro de 1972)

1972, Lisboa - Ano Internacional do Livro
Desta edição fez-se uma tiragem especial de 200 exemplares numerados e rubricados pelo editor.
Capa, contracapa e ilustrações (32) de Martim Avillez.

Este texto, o seu autor, a sua justificação:

O Livro do Apocalipse é um poema profético que as Igrejas cristãs aceitam como sagrado: atribuem-no ao Apóstolo João, o discípulo que Jesus amava. Trata-se de uma narração onírica, descrevendo tudo o que sucederá quando chegar o fim dos mundos.
Esta Edição pretende afirmar a poética de um texto que, escrito no remoto século I dep. Cr., se inscreve nas mitologias das civilizações mediterrânicas; é testemunha das mitologias extremo-orientais, a que aliás combate; no seu texto escreve a mitologia que nesta Nossa Idade (a última de todas) sobreleva todos os mitos posteriormente aparecidos.
Mais que cristão, este é o poema de uma civilização que se sente a caminhar para a destruição – a gesta de uma cultura, reinventando os símbolos dos seus dragões, em luta contra sua vitalidade simbolicamente sempre prestes a parir; este é porventura o único texto do chamado Novo Testamento em que a tristeza da morte não consegue sobrepôr-se à alegria de destruir um mundo revelho e gasto. E nisto é o Apocalipse uma escrita revolucionária.
O texto, tal como aqui é apresentado, pretende falar por si: quanto possível é tornado aberto por adequada forma gráfica; é todavia apresentado sem notas, pese embora à obrigação de todas as edições católicas oficiais têm de as inserir. Baseia-se contudo e confronta-se com desvairadas (tantas!) versões aprovadas. (1)

(1) Principalmente a edição dos Missionários Capuchinhos, com Imprimatur do Arcebispo de Mitilene.

Este texto anuncia, como dissemos, o tal fim do mundo. E esta edição não pretende interpretá-lo, nem enriquecê-lo. O modo de ele ser hoje apresentado, esperemos sim que o torne mais autêntico, menos alienado, com a sua possível acuidade histórica. A homenagem que prestamos à obra-prima do onirismo do Ocidente, em nada a oculta, em nada a revela.
“Para tanto, diz o seu autor, é precisa uma grande inteligência, guiada por uma grande sabedoria.”