Tuesday, April 08, 2014

Martim Avillez na Afrodite

Faleceu no dia 24 de janeiro de 2014, Martim Avillez, um dos mais marcantes ilustradores que colaboraram com Fernando Ribeiro de Mello, nas Edições Afrodite. Para o catálogo da Afrodite, ficou a arte de Avillez no Apocalipse do Apóstolo João, na mais excêntrica edição do Livro de São Cipriano, no Sade - 2.ª edição da Filosofia na Alcova e na segunda edição da Antologia do Conto Fantástico Português. Sobre a colaboração de Martim Avillez na Afrodite, recomendamos a leitura deste texto, de Pedro Piedade Marques, no blog Montag.

Wednesday, February 12, 2014

Referências a Ribeiro de Mello e à sua editora

Do texto de Pedro Piedade Marques para a edição Uma editora no subterrâneo, da Letra Livre, aqui ficam algumas passagens onde Fernando Ribeiro de Mello e as Edições Afrodite também são assunto.

Wednesday, January 15, 2014

Fernando Ribeiro de Mello sócio no arranque do etc

A entrevista de Alexandra Lucas Coelho a Vítor Silva Tavares, do Público, a 16 de Julho de 2007, está na edição da Letra Livre sobre a &etc. A páginas tantas o editor da &etc fala sobre Fernando Ribeiro de Mello, "amigo e sócio no arranque do etc".


Friday, December 27, 2013

Uma Editora no Subterrâneo

Enquanto aguardamos pela monografia que o Pedro Piedade Marques está a preparar sobre Fernando Ribeiro de Mello e as Edições Afrodite, vamos lendo, e contemplando, este oportuno lançamento da Letra Livre sobre a &etc. Os 40 anos da editora do subterrâneo, da Rua Emenda em Lisboa, estão devidamente assinalados por este magnífico livro. 

Pode ser encomendado à própria Letra Livre.

Mais informação aqui e aqui.

Nos vários textos que compõem o livro, encontramos algumas referências à Afrodite e a Fernando Ribeiro de Mello, que aliás foi também um dos sócios fundadores da &etc. Dessas referências aqui daremos conta nas próximas semanas.


Monday, December 02, 2013

Cadeia ou hospício



Na publicação 1 Homem Dividido Vale por 2, sobre Luiz Pacheco  e a sua Contraponto, editada aquando de uma exposição na Biblioteca Nacional, em 2009, encontramos um texto que saiu no Diário da Manhã em  9 de Abril de 1966.
Transcrevemos abaixo esse curioso  texto, onde sem nomear a obra em questão, rápidamente percebemos que se escreve sobre a Filosofia na Alcova, do Marquês de Sade, publicada por Fernando Ribeiro de Mello. O prefaciador referido é Luiz Pacheco e o escritor e crítico literário é David Mourão-Ferreira.



Dia a Dia
Cadeia ou hospício
A Polícia Judiciária anunciou, há dias, a apreensão de diversos livros imorais e pornográficos em diversas regiões do País. Chegou-nos agora às mãos um exemplar de uma das «obras» e pudemos verificar até que ponto a corrupção moral, na sua acepção absoluta, se exibe cinicamente por aí. As depravações sexuais abomináveis são ali expostas e até preconizadas com uma crueza tão revoltante, com um vocabulário tão reles, que nos recusamos a aceitar como pessoas humanas aqueles que as difundem, apoiam e fazem o elogio. O homossexualismo, a sodomia, o incesto são ali propagandeados como se de virtudes se tratasse. A juntar a isto, um dos prefaciadores permite-se insultar a magistratura do tribunal da Boa Hora, por onde se gaba de já ter passado. Torna-se claro que a indivíduos deste estofo não poderá permitir-se-lhes o contacto com uma sociedade medianamente digna. O caminho só poderá ser a cadeia ou o hospício.
Outro aspecto impressionante a referir é o apadrinhamento que a este manual de devassidão concedeu certo escritor e crítico literário, que desfrutou ou desfruta ainda em alguns orgãos de informação pública – até oficiais! – de tribunas de excepcional relevância.

Wednesday, October 02, 2013

O Purgatório dos Poetas


 
Aqui encontrámos um texto de Isabel Cadete Novais sobre a edição da Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica, de Natália Correia (foto). Segundo a autora, a edição levada a afeito por Natália Correia e Fernando Ribeiro de Mello, teve génese numa ideia, num projecto de Manuel Cardoso Marta. Natália Correia aproveitou e deu continuidade ao projeto de um amigo de longa data, designado «O Purgatório dos Poetas», após lhe ter comprado a sua vasta biblioteca, incluindo alguns papéis do seu espólio literário.

«O Purgatório dos Poetas» permaneceu interrompido na posse de Manuel Cardoso Marta durante vinte e três anos, e, só após a sua morte, foi parcialmente recuperado por Natália Correia, ao integrá-lo num projecto seu, mais extenso, intitulado Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica: dos cancioneiros medievais à actualidade, publicado pelas edições Afrodite em 1966.”

“O dossiê de trabalho do referido projecto parece ter chegado até hoje praticamente como Cardoso Marta o deixou: uma capa cartonada com o rótulo autógrafo «O Purgatório dos Poetas» reúne, sob a folha de rosto (contendo título, autoria, esboço de desenho, local e data), um índice geral dos conteúdos, uma recolha autógrafa de trinta e oito poemas, dois dactiloscritos e, ainda, seis páginas de rascunho de um texto explicativo com características de prefácio. Deixadas no dossiê, uma dezena de folhas em branco indiciam que o trabalho foi suspenso numa fase em que se previa a inclusão de mais textos.”

“O cotejo entre os papéis de Cardoso Marta e a Antologia publicada por Natália Correia conduz-nos à conclusão de que o projecto daquele estudioso terá sido usado como tema ou ponto de partida para a exaustiva e arrojada edição que, segundo a própria autora, teve como «motivo determinante da sua publicação, constituir ao tempo essa obra uma “pedrada no charco” de um puritanismo que funcionava como uma das armas da repressão instituída». Como seria de prever, o acto de rebeldia contra o regime acabou por custar uma passagem efémera pelos escaparates das livrarias, tendo a edição sido retirada do mercado e os seus responsáveis condenados em Tribunal Plenário.”

Monday, August 19, 2013

Vivendo em casa de Fernando Ribeiro de Mello


 
No site triplov.com encontramos um texto de Nuno Rebocho sobre os tempos em que conviveu com Fernando Ribeiro de Mello. Nuno Rebocho escreve sobre a amizade com o editor da Afrodite, dos tempos em que viveu em casa deste, das colaborações que fez para a Afrodite (assunto sobre o qual aqui deixamos um excerto do texto), e sobre as divergências com o editor:
“Portanto, foi um alívio, e uma promoção, ir para casa do Ribeiro de Mello. Comecei a abraçar projectos seus, pelos quais me batia com unhas e dentes. E foi por proposta minha que nos abalançámos a criar a sua editora, Afrodite, cujo primeiro livro, o “Kama Sutra”, editámos: a tradução do original, sem nenhum cuidado, foi feita a quatro, pelo Fernando, por mim e por dois amigos meus, que tinham sido meus colegas no Liceu Camões, entre eles o Vítor Ribeiro. Acampávamos na tal casa do Fernando e, colaborando cada qual com o seu naco, e para mais não havendo qualquer preocupação em elaborar obra asseada, a coisa fez-se rapidamente. Mal concluído o “Kama Sutra” (suponho que o primeiro que se publicou em Portugal e logo sob a ditadura de Salazar, o que seria no mínimo subversivo), logo nasceu a ideia de lançarmos um livro do Marquês de Sade e outro do Masoch.”
Ficam apenas as correções de que o Ribeiro de Mello não morreu de acidente de viação, ainda que tenha tido um grave em 1970, e que a mulher dele se chamava Antonina e não Antonieta.

Nuno Rebocho - Nascido em 1945, em Queluz (Portugal), viveu em Moçambique desde os três meses de idade até 1962. Jornalista, poeta e andarilho – bastou-lhe ter estado preso por cinco anos na Cadeia do Forte de Peniche (por cinco anos, motivos políticos), para recusar ser animal sedentário. Viveu a imprensa regional (Notícias da Amadora, Jornal de Sintra, Aponte, A Nossa Terra, Jornal da Costa do Sol, Comércio do Funchal, entre outros), foi redactor da Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, das revistas O Tempo e O Modo e Vida Mundial, em diferentes diários e semanários, e é chefe de redacção da Antena 2 da RDP.