Wednesday, November 08, 2006

Poesia Portuguesa Erótica e Satírica - Séc. XVIII - XIX

(edição de Maio de 1975)

capa

Selecção, prefácio e notas de José Martins Garcia
Ilustrações (11) e capa de Henrique Manuel


Autores Antologiados

Caetano José da Silva Souto-Maior
Braz da Costa de Mendonça
Abade de Jazente
Correia Garção
António Lobo de Carvalho
Cruz e Silva
Filinto Elísio
Nicolau Tolentino
José Agostinho de Macedo
Bocage
Curvo Semedo
Sebastião Xavier Botelho
João Vicente Pimentel Maldonado
José Anselmo Correia Henriques
Pato Moniz
Pedro José Constâncio
Almeida Garret
António Maria Eusébio (Calafate)
João de Deus
Guilherme de Azevedo
Antero de Quental
Guilherme Braga
Gomes Leal
Guerra Junqueiro
Cesário Verde
Xavier de Carvalho
António Nobre
José Duro

Ilustração de Henrique Manuel

Texto na badana. Parte do prefácio, intitulado: A “Colónia” Lusitana.

A literatura erótica de uma comunidade constitui a mais genuína expressão da sua liberdade ou da sua frustração, da sua capacidade criadora ou da sua inibição. No caso português, a linguagem relativamente livre da obra de um Gil Vicente traduz uma concepção socio-cultural que a Inquisição não tolerou. Para a Inquisição e para o privilégio católico-feudal que ela defendia, a regra não podia deixar de ser a proscrição do “sexo”.Todos os opressores da inteligência, os coetâneos como os futuros, sentiram a necessidade de subtrair esta poesia o grande público. O público não deve ter acesso à miséria sexual daqueles que passam por excelentes mentores dos povos. Neste jogo hipócrita que se prolonga até aos nossos dias, colaboram os moralistas de todos os escalões sociais, mesmo aqueles que, famintos de pão e de parceiro sexual, emitem pareceres reprovadores, porque nem coragem têm de sonhar a liberdade. Nenhum poder encara com agrado que alguém fale do “sexo”. A nossa sociedade não é muito diferente daquela que perseguiu Sigmund Freud. Muito menos simpatia merecerá tal matéria, se ele nos vem revelar traumatismos, deformações, chagas, miséria – as consequências do permanente colonialismo que nos têm imposto.