Wednesday, September 20, 2006

De Fora Para Dentro

(edição de Março de 1973)

Colecção Antologia

Organização, notas e tradução de Aníbal Fernandes
Capa, fotografia e arranjo gráfico de abertura de Jorge Costa Martins
Edição com algumas imagens de D. Affonso I, nun`álvares, infante d. henrique, marquês de pombal, afonso costa, cardeal cerejeira, salazar e marcelo caetano.

Antologiados: andré mandiargues, blaise cendrars, byron, d. a. f. de sade, françois de chateaubriand, jean giraudoux, jules supervielle, jules verne, miguel de cervantes, miguel de unamuno, paul morand, philippe soupault, reynaldo arenas, saint-exupéry, sedar senghor, simone de beauvoir, thomas mann, thomas owen, william beckford, valéry larbaud, vercors, volaire

Autores de Apartes: alberto candeias, andré bay, andré maurois, aquilino ribeiro, armand guilbert, boyd alexander, byron, domingos monteiro, casanova, chamfort, charles baudelaire, donatien-alphonse-françois de sade, erich maria remarque, folclore de trinidad, georg christoph lichtenberg, hans christian andersen, henry miller, jean-pierre giraudoux, josé rodrigues miguéis, link, robert desnos, roger vailland, simone de beauvoir, william saroyan, victor-henry debidour, vitorino nemésio, voltaire


Texto na badana

Cervantes e Unamuno escreveram (eram espanhóis) sobre Portugal. Mas o Marquês de Sade também. Portugal foi tema para a épica de Lord Byron e a lírica de Cendrars. Thomas Mann viu à sua maneira a paisagem deste último país da Europa que Simone de Beauvoir também retrataria clara e sucintamente.

Até Chauteaubriand escreveu sobre Portugal. E as voltas ao mundo da literatura de Verne passam irresistivelmente por Portugal.

Um país de fome e/ou monumentos? uma Lisboa pedinte e/ou de seculares procissões? um português piolhoso e/ou cantor do fado? um clima propício às pulgas e/ou aos banhos de mar? O que é que mais ressalta deste retrato de Portugal visto de fora?

Eis uma boa razão para lermos estes escritores estrangeiros e lhes agradecermos o terem escrito o que nós não temos vontade, capacidade ou licença para vermos. Ou temos? É ler! Essa é a melhor forma de sermos dignos da atenção que alguns génios da humanidade se deram ao trabalho de nos prestar, sem disso terem necessidade.

E se alguns destes textos são antigos nem assim são velhos: Lisboa continuará a não ter a dignidade de uma capital – como dizia Beckford em 1787? E, como dizia Lord Byron, Lisboa não contém mais que ruelas desagradáveis e habitantes mais desagradáveis ainda? Unamuno teria ainda hoje mil razões para desabafar: “Pobre Portugal!”?

Portugal, “onde um guindaste parece um canhão de longo alcance”(Cendrars).
“...onde nem uma esmola se pode pedir em voz alta” (Reynaldo Arenas).
“...uma nojice! – Porquê? – Por Tudo!” (Simone de Beauvoir).

Parciais ou imparciais, distanciadas ou não no tempo, estas e outras opiniões destes escritores aí ficam. É com eles e com os senhores leitores.