Wednesday, February 04, 2026



Da biografia de Herberto Helder, Se Eu Quisesse Enlouquecia, escrita por João Pedro George, uma passagem onde se refere Fernando Ribeiro de Mello, (página 235):

“A Mansarda, ali referida, era um bar à média luz, um local de arrebatamentos passageiros e vícios privados, que ficava na zona de São Pedro de Alcântara, nas traseiras do Solar do Vinho do Porto, frequentado, entre outros, por Fernando Ribeiro de Mello, Lia Gama, Herberto Helder, Rolando Sá Nogueira, Álvaro Santos (mais conhecido pela alcunha «Cabeça de Vaca»), etc. Sobre a Mansarda, disse Mário de Carvalho que ali se organizavam grandes bacanais, rapazes com raparigas, raparigas com rapazes, raparigas com raparigas, rapazes com rapazes, abraçando-se e beijando-se uns aos outros: «Ouvi muitas histórias sobre a Mansarda numa tertúlia da Brasileira, no Chiado, onde havia pessoas que conheciam esse bar, como o Júlio Pinto e o Lagoa Henriques. Algumas foram-me contadas pelo Ribeiro de Mello, que convidou o Herberto várias vezes para essas orgias. Uma dessas histórias é até caricata. Os dois envolveram-se com umas meninas e o Herberto, tímido, ficou muito aflito. "O que é que se passa contigo?", perguntou-lhe o Ribeiro de Mello. Ao que o Herberto respondeu: “Então, não é fácil estar nisto em grupo." Um dia, piquei o Herberto nas Galegas. Contavam-se várias histórias com a Madame Mazankorf, no bordel da Rua do Mundo, como aquela em que o Ferreira Pinto ouviu qualquer coisa a cair no chão e, quando acendeu a luz, viu que lhe faltava um olho. Tinha-lhe caído o olho de vidro a meio do acto. O Herberto conhecia pessoas muito esquisitas. Há aí muita penumbra, histórias incríveis. Eu sei, por exemplo, que o Sá Nogueira ia à Mansarda requisitar modelos, pagava a raparigas e a mulheres para posarem nuas para ele».

Wednesday, October 22, 2025

Liberto Cruz (1935 - 2025)

 


Faleceu recentemente Liberto Cruz, que teve uma fugaz participação na editora Afrodite, em que foi o tradutor do livro Jonas ou o Amor Numa Baleia, escrito por Pierre-Henri Cami, publicado no ano de 1966. A obra contou também com colaboração gráfica do pintor João Vieira.

Liberto Cruz nasceu em Sintra em 1935. Poeta, crítico, ensaísta, biógrafo, tradutor e conferencista, licenciado em Filologia Românica pela Faculdade de Letras de Lisboa (1959). Foi professor do ensino secundário (Castelo Branco e Lisboa) e Assistant Associé das Universidades de Rennes, Nantes e Vincennes (França), onde lecionou literatura portuguesa.

Fundou em 1961 a revista Sibila e dirigiu de 1964 a 1966 a coleção Poesia e Ensaio da Ulisseia.

Crítico literário do Jornal de Letras e Artes de 1965 a 1966. Colaborador da Colóquio Letras desde 1971.

Introdutor em França (1969) da cadeira de estudos de literatura africana de expressão oficial portuguesa. (Secção de Português da Université de Haute Bretagne – Rennes).

Conselheiro Cultural da Embaixada de Portugal em Paris de 1975 a 1988.

De 1988 a 2000 foi Diretor da Fundação Oriente em Lisboa. Além da obra poética interessou-se por vários autores portugueses e estrangeiros, sendo dignas de especial atenção as obras dedicadas a José Cardoso Pires, Ruben A., António José da Silva, Júlio Dinis, Marquês de Sade e Blaise Cendrars.

Viveu em França de 1967 a 1988.Foi Presidente da Associação Portuguesa dos Críticos Literários de 2000 a 2017. Morreu a 10 de outubro de 2025 aos 90 anos.

Fonte: Wook

Foto: CM da Póvoa de Varzim

Wednesday, March 26, 2025

Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto - Edição Especial

                                      (Edição de 1989)





Colecção Clássicos
2 Volumes
Versão de Maria Alberta Menéres
 

Textos em posfácio: Eduardo Lourenço, Rebeca Catz, Maria Alzira Seixo, José Augusto Seabra, Fernando António Almeida, Eduardo Prado Coelho, Almeida Faria, Armando Castro, Vítor Silva Tavares e A. Martins Janeira.


Ilustrações de:
António Areal
Eurico
Carlos Ferreiro

Com desenhos de Júlio Pomar e António Areal

Com um mapa desdobrável

Com apêndice testamento de António Faria

Arranjo gráfico do volume de José Marques de Abreu


Edições Afrodite / Fernando Ribeiro de Mello 

Edição especial de dois volumes em capa dura e caixa

Edição comemorativa dos Descobrimentos Portugueses

Edição em 1 9 8 9

Edição patrocinada pelo IPLL comissão nacional para as comemorações dos descobrimentos portugueses e pela Fundação Oriente

 

 

Tuesday, March 21, 2023

Editor Contra nas Caldas da Rainha


Hoje no Centro Cultural de Caldas da Rainha com entradas livres. 

Diga 33 – Poesia no Teatro (da Rainha) regressa ao CCC, desta feita no pequeno auditório.

Exibição de "Editor Contra", realizado por Luís Alvarães a partir do livro homónimo de Pedro Piedade Marques. A conversa será sobre o editor Fernando Ribeiro de Mello e as suas Edições Afrodite, onde publicaram ou colaboraram Natália Correia, Luiz Pacheco, Manuel João Gomes, Aníbal Fernandes, Luiza Neto Jorge, Herberto Helder, José Martins Garcia e tantos, tantos outros. Após a exibição do documentário haverá um debate / conversa com Luís Alvarães e  Pedro Piedade Marques.

Organização do Teatro da Rainha e coordenação de Henrique Fialho.

Tuesday, November 22, 2022

Documentário - Editor Contra de Luís Alvarães

 

É já quinta-feira, dia 24 de novembro, pelas 19 horas, na Cinemateca Portuguesa, que acontece a ante-estreia do documentário Editor Contra de Luís Alvarães sobre Fernando Ribeiro de Mello e as edições Afrodite.

 

"A partir do livro homónimo de Pedro Piedade Marques, EDITOR CONTRA relembra a vida de Fernando Ribeiro de Mello, uma das mais controversas personalidades do século XX português, fundador das Edições Afrodite, a partir da qual, antes do 25 de Abril de 1974 publicou uma vasta coleção de livros proibidos e censurados pelo Estado Novo.  Considerando que “os livros das Edições Afrodite fazem hoje parte da história dos pequenos editores marginais e dos sonhos dos alfarrabistas”, este documentário evoca testemunhos e encenações para fazer “uma evocação celebratória da ousadia e das aventuras” de um editor que fez da irreverência o seu traço mais digno antes e após a revolução, possibilitando uma aproximação às particularidades mais intrépidas do mundo da literatura portuguesa do século XX"

 

Editor Contra
de Luís Alvarães
com Flávio Gil, Dinis Gomes, Teresa Coutinho
Portugal, 2022 - 55 min | M/12
Produção David & Golias / RTP / SPAutores - Fundo Cultural
 
 

Saturday, February 06, 2021

A reportagem de Fernando Assis Pacheco para o Diário de Lisboa


"Dezenas de entendidos assistiram ontem à noite [dia 15 de Dezembro de 1971] ao entremez 'Um editor na banheira', representado por Fernando Ribeiro de Melo (Edições Afrodite) no seu rés-do-chão da Rua do Cabo, a dois passos de Santa Isabel. Quatro obras novas foram pretexto para a mais líquida conferência de imprensa de que temos memória.

Porque pode ser Melo mas sobretudo porque é Ribeiro, o editor Fernando Ribeiro de Melo deu ontem à noite mais uma prova da sua compatibilidade com os líquidos ao fazer de dentro de uma banheira o lançamento de novas obras. Quando lhe perguntaram se ele sempre era o Dali português, respondeu naturalmente:
'Cada povo tem o Dali que merece, embora alguns Dalis (é o meu caso) não tenham o povo que merecem. Mas enfim...'
Neste 'enfim' ia uma banheira de sugestões (...) O editor entra na banheira, senta-se (leva calções pretos para obviar à pergunta 'vestiu calções?'), acende um cigarro, deita as primeiras cinzas num bacio (este branco, por contraste) e perora assim:
'Meus senhores, com a vossa colaboração, espero a eficiência de uma comunicação ao público sobre estas obras que o público deve ler!'
Sabe-a toda, e sabe que a sabe toda (...)
A cena passou-se ontem, à noite, como dizíamos, numa banheira. Para sermos precisos, a banheira estava (e está) na Rua do Cabo, nº 10, rés do chão esquerdo, à direita de quem sobe. Quanto aos presentes, eram cerca de quatro dezenas, mas incluíram representantes de quase todos os órgãos de Informação da capital e até mesmo gente da Rádio, do Cinema e da Televisão. Se fosse no S. Carlos de há cem anos teria sido um inapagável 'sucesso de binóculo'.
Algumas palavras acerca do editor: é de facto editor (edita livros), não sobressai pela estatura (relativamente meã), usa bigodes de ponta retorcida, anda pelos trinta, trinta e pico. Perde dinheiro, ganha dinheiro. Agora está interessado em ganhar, de onde a conferência de Imprensa na banheira com permissão de traje de passeio: era o que rezava o convite. Os livros são giros, anotamos o primeiro volume da História Trágico-Marítima de Bernardo Gomes de Brito (...)
Dois diabos ensonados misturavam-se com a assistência, enquanto duas beldades do conhecido editor (Palola e Eugénia) iam servindo e retirando o alvo bacio de louça. Num requinte de malvadez publicitária Ribeiro de Melo pintara 'slogans' editoriais sobre a cútis das raparigas.
'Sinto que há entre nós muita falta de alegria', comenta ele (...)
Fui comido pela máquina fotográfica, casquina um verso de Mário Cesariny de Vasconcelos. A propósito, estava presente o Cesariny. E estava o Cruzeiro Seixas. E o Júlio Moreira. Entre as muitas outras pessoas que deixaram cartões ou de algum modo se fizeram representar anotámos os nomes dos srs. António Palouro, António José Forte, Vítor da Silva Tavares, José Vaz Pereira, Cunha Telles, António Damião, Nuno Júdice, Manuel Gusmão, Sam, João Paulo Guerra e Fernando Ribeiro de Melo. Que estava a ler (ler mais acima) dentro de uma Grande banheira circular forrada a preceito pelo artista plástico João Vieira. De calções pretos"

(Fernando Assis Pacheco, "Diário de Lisboa", 16/12/1971, pp.1-2.

da página de facebook de Pedro Piedade Marques

Saturday, May 30, 2020

A Filosofia na Alcova – Marquês de Sade

edição de 1976
Tradução de Manuel João Gomes
Com uma declaração a propósito, de vários autores
Com uma advertência cultura, de vários autores
Com uma cronologia sadiana

Em posfácio: A 1.ª edição portuguesa ou Sade e o Tribunal Plenário de Lisboa – documentos para uma reflexão exemplar sobre política-cultura-moral-ditadura

Capa e ilustrações de Martim Avilez

Edição e plano gráfico de e direitos reservados de Edições Afrodite




Nova Recolha de Provérbios Portugueses e Outros Lugares Comuns 3.ª edição

edição de novembro de 1988
Coordenação e nota introdutória de Manuel João Gomes
Prefácio do Prof. Moisés Espírito Santo
Capa e Ilustrações de Henrique Manuel
Edição e Plano Gráfico de Edições Afrodite
Direitos Reservados de F. Ribeiro de Mello / Ed. Afrodite

Colecção Antologia


2.ª Edição
1.ª Edição 

Nova Recolha de Provérbios Portugueses e Outros Lugares Comuns 2.ª edição

edição de dezembro de 1986
Coordenação e nota introdutória de Manuel João Gomes
Prefácio do Prof. Moisés Espírito Santo
Capa e Ilustrações de Henrique Manuel
Edição e Plano Gráfico de Edições Afrodite
Direitos Reservados de F. Ribeiro de Mello / Ed. Afrodite

Colecção Antologia


3.ª edição
1.ª edição 

Antologia de Poesia Latina Erótica e Satírica

                                                     edição de abril de 1975
Grupo de Docentes da Faculdade de Letras de Lisboa

Seleção, Tradução e Notas de Custódio Magueijo, J. Lourenço de Carvalho e José António Campos


Prefácio de José Martins Garcia


Ilustrações de Eduardo Batarda, José Lopez-Werner, Edgar Perdigão e Olga Pianola


Capa de Henrique Manuel 


Edição e plano gráfico de Edições Afrodite

Com poemas de Carmina Priapeia, Catulo, Tibulo e Sulpícia, Propércio, Horácio, Ovídeo, Marcial, Juvenal e Reposiano.
 

Com notas críticas para cada um dos autores.








Grande Livro de S. Cipriano ou Os Tesouros do Feiticeiro – S. Cipriano, 4.ª Edição

edição de 1978
Grande Livro de São Cipriano ou Tesouros do Feiticeiro
4.ª edição

Ilustrações de Martim Avilez

Comentários de:
Padre A. Miranda Santos – Magia e Formas Litúrgicas
António Alçada Baptista – O Diabo à Solta
António José Forte – Um Pobre Diabo
Padre Avelino Rodrigues - Anomalia e (ou) Anomia
Fernando Calixto – À Laia de Implicações Criminais

Partes que compõem o volume:
Engrimanços de São Cipriano ou Prodígios do Diabo
Os Tesouros da Galiza
Espíritos Diabólicos que Infestam as Casas com Estrondos e Remédios para os evitar
Poderes Ocultos do Ódio e do Amor
Buenadicha
Alquimia
A Feiticeira de Évora ou História da Sempre Noiva

Plano, arranjo e controle gráfico de José Marques de Abreu
Edições Afrodite / Fernando Ribeiro de Mello