Saturday, July 29, 2006

Acerca da edição de 1966 da Filosofia na Alcova - Parte III

Bem... Mourão-Ferreira não contestava o facto de Sade ser um grande escritor; mais ainda: “uma personalidade-padrão, uma figura emblemática, uma espécie de farol”. Tinha, sim, um estilo de “chateza confrangedora, estereotipado e uniforme, tecido de constantes ´clichés´, sem o risco pessoal daqueles pormenores concretos e daquelas transposições metafóricas que dão relevo e surpresa à linguagem”. Por outro lado, o seu mundo romanesco revelava-se “bastante esquemático, regido por leis quase mecânicas”; e, quanto à estrutura, não havia obra sua que não ficasse “pelo desequilíbrio das diversas partes”. Sim, era verdade que Bertrand d´Astorg o considerava autor essencialmente contemporâneo. E que quem sofrera “a experiência de Dachau e de Auschwitz”, quem andava ainda a sofrer “a Oeste ou a Leste da Cortina de Ferro a experiência de outros campos mais discretos ou por enquanto menos famigerados”, quem conhecesse pelo menos “o relato desses horrores” ou simplesmente vivesse no tempo em que eles decorriam, encontrava-se “em situação tristemente privilegiada para melhor compreender o universo de Sade”. Sade contemporâneo? Não só, esclarecia Mourão-Ferreira recorrendo a Klossowski: “meu próximo”. Apesar de tudo isto era verdade, porém, que lhe não tinha amor. E sobretudo não perdoava que tivesse o condão, “deveras vexatório”, de lhe provocar “muito bons sentimentos”. Nenhuma palavra, felizmente, sobre o facto de ser ou não ser oportuno publicar em português um texto de linguagem crua e com ideias em batalha contra todas as regras da moral estabelecida.
(continua)

Thursday, July 27, 2006

Apocalipse do Apóstolo João

(edição de Dezembro de 1972)

1972, Lisboa - Ano Internacional do Livro
Desta edição fez-se uma tiragem especial de 200 exemplares numerados e rubricados pelo editor.
Capa, contracapa e ilustrações (32) de Martim Avillez.

Este texto, o seu autor, a sua justificação:

O Livro do Apocalipse é um poema profético que as Igrejas cristãs aceitam como sagrado: atribuem-no ao Apóstolo João, o discípulo que Jesus amava. Trata-se de uma narração onírica, descrevendo tudo o que sucederá quando chegar o fim dos mundos.
Esta Edição pretende afirmar a poética de um texto que, escrito no remoto século I dep. Cr., se inscreve nas mitologias das civilizações mediterrânicas; é testemunha das mitologias extremo-orientais, a que aliás combate; no seu texto escreve a mitologia que nesta Nossa Idade (a última de todas) sobreleva todos os mitos posteriormente aparecidos.
Mais que cristão, este é o poema de uma civilização que se sente a caminhar para a destruição – a gesta de uma cultura, reinventando os símbolos dos seus dragões, em luta contra sua vitalidade simbolicamente sempre prestes a parir; este é porventura o único texto do chamado Novo Testamento em que a tristeza da morte não consegue sobrepôr-se à alegria de destruir um mundo revelho e gasto. E nisto é o Apocalipse uma escrita revolucionária.
O texto, tal como aqui é apresentado, pretende falar por si: quanto possível é tornado aberto por adequada forma gráfica; é todavia apresentado sem notas, pese embora à obrigação de todas as edições católicas oficiais têm de as inserir. Baseia-se contudo e confronta-se com desvairadas (tantas!) versões aprovadas. (1)

(1) Principalmente a edição dos Missionários Capuchinhos, com Imprimatur do Arcebispo de Mitilene.

Este texto anuncia, como dissemos, o tal fim do mundo. E esta edição não pretende interpretá-lo, nem enriquecê-lo. O modo de ele ser hoje apresentado, esperemos sim que o torne mais autêntico, menos alienado, com a sua possível acuidade histórica. A homenagem que prestamos à obra-prima do onirismo do Ocidente, em nada a oculta, em nada a revela.
“Para tanto, diz o seu autor, é precisa uma grande inteligência, guiada por uma grande sabedoria.”


Monday, July 24, 2006

Acerca da edição de 1966 da Filosofia na Alcova - Parte II

- Foram várias – esclareceu-me Fernando Ribeiro de Mello. – Houve uma apreensão de cenho carregado que não pronunciava nada de bom. Houve ameaças na PJ (ameaças com vários graus de transparência), um processo no Tribunal Plenário de Lisboa, houve multas. A festa prometia...
- E não decidiu ficar por aí? Achou que essa via, uma hostilização à Censura feita num grau nunca visto em Portugal, era uma importante via de Oposição?
- Achei. Achámos. Se havia Angola, Moçambique e a Guiné a troar ao longe, outros incómodos mais discretos mas que molestrassem perto talvez contribuíssem para abalar o sonambulismo nacional, fanático e solitário, e para nos fazer entrar para o Mundo.
- Longe de se intimidar, ocorreu-lhe o Sade.
- Foi em 1965. A Afrodite tinha feito um falsa trégua dando crer que estava regenerada e se limitaria a obras “possíveis”. Um bom exemplo disto foi aquele Cami, livro para fazer tempo e a bem dizer desinteressante, aproveitador sem imaginação da onda francesa que andava a recuperar humoristas do fim do século. Mas uma noite, na casa da Natália Correia, alguém alvitrou o Sade. Era uma hipótese de provocação máxima, associada ao peso de um grande nome da literatura. Havia dificuldades: quase todos os livros “fortes” do marquês tinham dimensões incompatíveis com os dinheiros e os riscos económicos que a editora podia correr. Nada de Justines nem de Julietas, nada de 120 dias: praticamente só sobrava A Filosofia na Alcova. Como o pintor Cruzeiro Seixas tinha um exemplar da edição Pauvert abrigado na Estrada da Ameixoeira, lancei mãos à obra. O Herberto Helder aceitou fazer a tradução, o João Rodrigues as ilustrações. A meio do empreendimento ocorreu-me que era bom jogar com dois prefácios, um pró e outro contra. Não foi difícil encontrar as pessoas indicadas pois havia, por um lado, a vocação libertina do Luiz Pacheco pronta a dar a cara, por outro lado o peso erudito e reconhecidamente bem comportado do David Mourão-Ferreira.
Assim foi – corria o mês de Março de 66 – que A Filosofia na Alcova apareceu em português com a chancela Afrodite, austera na sua capa de cartolina escura lavrada e com letras de um amarelo dourado a envolver com solenidade quase fúnebre aqueles 2000 exemplares a 80$00 (preço elevado para a época), com muitas gralhas a complicar para pior uma tradução pouco elegante de Helder Henrique de onde em onde interrompida por más ilustrações de João Rodrigues. Mas não fazia mal; mas não fazia, ao cabo e ao resto, muito mal: estava-se perante uma provocação de dimensões inéditas às regras de Salazar, girava subitamente no ar um sintoma de sarilho próximo que convocava a incondicional afirmação de muitas solidariedades.
Não vá, porém, imaginar-se que o editor ignorava as precauções indispensáveis a tomar com este texto “especial” lançado à voracidade do público. Logo na primeira página se avisava os “exmos livreiros” que tinham entre mãos “uma obra cujo significado cultural só podia ser devidamente apreendido por pessoas de sólida e amadurecida formação”, rogando-se “o maior cuidado na venda”, de forma a ser “rigorosamente interdita a menores”. Depois, saltadas cinco páginas, ofereciam-se dois prefácios. À escolha. Para começar, o que se encarregava de não gostar do marquês.
(continua)

Acerca da edição de 1966 da Filosofia na Alcova - Parte I

(Extracto de um texto / trabalho de António Carmo Luís (?), intitulado, Portugal em Sade, Sade em Portugal (história, histórias...) – adaptação de um capítulo do livro inédito Sete Encenações Falhadas de uma Batalha Campal, publicado em O Marquês de Sade e a sua Cúmplice, seguido de Portugal em Sade, Sade em Portugal – Jean Paulhan, Hiena, 1992.)


Andava o país literário a consumir-se nas jogadas deste xadrez funesto, a acender fogueiras com uma temperatura que a ficção científica já determinara (e nos dizia ser 451 graus Fahrenheit), quando chegou a Lisboa um jovem do norte disposto a amar de fora e do ar os interiores da literatura, decidido - com visível frenesi, com previsível ambição – a assumir o principal papel no mais violento confronto com o poder de censurar que a história de fazer livros em Portugal iria, desde a Inquisição assistir.
Aos poucos tomou posições. Quando se deu verdadeiramente por ele já frequentava o centro do café Monte Carlo (na altura um reduto de intelectuais vigiado com rigor por duas ou três mesas periféricas), os salões de Natália Correia, uma espécie de salão literário tardio (na hora e na história) que acolhia de bom grado as letras noctívagas de Lisboa. E nestes dois locais compensados como vasos comunicantes se congeminaram os mais provocatórios golpes de edição que a prática de censurar aqui sofreu.
Desta radioactividade nocturna nasceu, de facto, a editora frágil e quase inexistente, sem capitais nem sede, que iria escolher para seu nome uma deusa caucionada pela cultura grega mas que a autoridade não deixaria, mais tarde, legalizar.
- Porquê? – quero saber trinta anos depois e pergunto-o a esse editor (Fernando Ribeiro de Mello com dois éles), nós sentados na Brasileira-esplanada e a dois passos de um contabilista imóvel que alguma coisa, de censuras, também chegara a saber.
- Porque Afrodite era um nome erótico, diziam-me nada próprio para baptizar com ele uma editora.
- Editora quase clandestina – reparo eu – baptizada com um nome que não entrava nas possibilidades ditadas pelo regime e que conseguia, assim mesmo, publicar.
- Três ou quatro títulos por ano, de acordo com a lei. Ultrapassar esse número estabelecido para uma não-editora-a-sério, hostilizar por esse lado uma brandura legislativa de um país que guerreava livros, seria pretexto para uma proibição absoluta e formal. Tinha, pois, de ser assim: quase inexistente e larvar.
Em 1965, a Afrodite estreava sua primeira provocação dando ao país Kama Sutra, Manual do Erotismo Hindu. E nem sequer um ano passava já os censores estupefactos e irritados com aquela editora ultra-minúscula e leviana, que saía à rua a cantar um programa festivamente suicida, enfrentavam outro coelho da mesma toca, desta feita uma Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica que Natália Correia ousara construir à custa de momentos fesceninos e de maior licença satírica em grandes e menos grandes nomes da poesia e dos versos em português, aos quais acrescentara uma colaboração contemporânea que vinha de gavetas e colecções privadas, tudo envolto numa embalagem erudita que se julgaria dissuasora de actuações censórias. Mas não foi. As consequências...
(continua)

Agradecimentos a:

* José Nascimento (alfarrabista nómada) e Livraria Letra Livre (Calçada do Combro, LX) pela ajuda a preencher a estante dedicada às Edições Afrodite.

* Ao insone hmbf, pelo apoio técnico.

* A Francisco José Viegas, Vitor Vicente, Pedro Marques e Ana Gomes Ferreira pelos posts dando a conhecer este blog.

* A masson do Almocreve das Petas, pela disponibilidade para dicas sobre as Edições Afrodite e Fernando Ribeiro de Mello.

Wednesday, July 19, 2006

Portugal em Sade, Sade em Portugal (história, histórias...),


Com alguma informação sobre as Edições Afrodite / Fernando Ribeiro de Mello, existe uma edição de 1992, da extinta Hiena, intitulada: O Marquês de Sade e a sua Cúmplice, seguido de Portugal em Sade, Sade em Portugal. A primeira parte deste livro é de Jean Paulhan e a segunda é um texto / trabalho de António Carmo Luís (pseudónimo de Aníbal Fernandes) intitulado: Portugal em Sade, Sade em Portugal (história, histórias...) – adaptação de um capítulo do livro inédito Sete Encenações Falhadas de uma Batalha Campal.

Parte deste texto é dedicado às Edições Afrodite, principalmente à edição de 1966 da Filosofia na Alcova e o consequente processo em Tribunal Plenário de Lisboa.


Brevemente faremos alguns posts com este importante trabalho de Aníbal Fernandes, que para tal chegou a entrevistar Fernando Ribeiro de Mello.

A Filosofia na Alcova, Marquês de Sade

(edição de 1966)

Capa

Herberto Helder estava inicialmente encarregue da tradução, mas este entregou-a ao jovem António Manuel Calado Trindade. Por decisão do editor, a tradução é atribuída ao pseudónimo Helder Henrique.

Prefácios de David-Mourão Ferreira (Contra Sade) e Luis Pacheco (O Sade Aqui Entre Nós, dedicado a Natália Correia).

Capa e ilustrações (7) de João Rodrigues




“Aviso aos Ex. mos livreiros” na primeira página


Desenho de João Rodrigues

Saturday, July 15, 2006

4 Autores da Novela Portuguesa Contemporânea

(edição de 196?)

Capa
Nº1 (e único) da Colecção Antologia de Vanguarda

Antologia textos de:

Mário de Sá-Carneiro: A Loucura
José de Almada Negreiros: A Engomadeira, novela vulgar lisboeta
Manuel de Lima: Um Homem de Barbas (antecedido por prefácio de José Almada Negreiros)
Luíz Pacheco: Os Namorados

Thursday, July 13, 2006

O Supermacho, de Alfred Jarry

(edição de Fevereiro de 1975)
Capa
Cinta promocional

Título original: Surmâle
Autor: Alfred Jarry (n:1873, m:1907)
Tradução: Luísa Neto Jorge
Capa e Ilustrações (15): Nuno Amorim

Edição que apresenta alguns textos sobre Jarry, um dos quais por Tristan Tzara, e ainda uma cronologia do autor.


Texto na badana:

O herói de O Supermacho
consegue bater o record do “Índio tão celebrado por Teofrasto” de que fala Rabelais: às setenta do Índio responde com oitenta e duas seguidas no acto do amor.
Sendo a estória, ou o teatro literário, desse feito (contrapontado de competição desportiva, para o caso ciclista – ou não fosse Jarry o amante por excelência das bicicletas), O Supermacho tem passado, a coberto de uma subclandestinidade, por um dos mais “explosivos” livros eróticos do nosso tempo. É-o de facto – mesmo para além do episódio motivador.
“Romance moderno” chamou-lhe Jarry, quando o deu à estampa em 1902, seguindo talvez o preceito de Rimbaud: “É preciso ser absolutamente moderno.”
Assim hoje o podemos ler, entre o prazer e o espanto.
È que
O Supermacho
adianta extraordinariamente as pesquisas e as conquistas da narrativa contemporânea, surgindo aos nossos olhos como um autêntico romance fantástico e de antecipação erótico-científica, quer pela invenção fecunda, mesclada do típico humor do criador de Ubu, quer pela engenhosidade e fluência dos achados romanescos.
Sem escabrosidade, mas igualmente sem preconceito de sentimentalismo ou subjectividade – portanto directo, puro, nu e cru – o romance de Jarry vem ao encontro de uma filosofia do amor erótico gerado pela “civilização mecânica” que até entre nós, sobretudo nas novas gerações, ensaia autodeterminar-se expulsando mitos e tabus, frustrações e recalcamentos – numa palavra, finalmente praticando o Amor ao Corpo.
Excedei-vos! – eis a moralidade que poderemos extrair deste romance tanto tempo “maldito” e que ocupa, na obra de Alfred Jarry como na literatura que se arrisca moderna, lugar da mais alta importância.
...No entanto cuidado, ó Supermachos: ele há sempre uma Superfêmea, por mais vestida de frágil, capaz de ganhar a partida...

Ilustração de Nuno Amorim

Kama Sutra – Manual do Erotismo Hindú, de Vatsyayana, séc. v d. c.

(edição de 1965)

Tradução: Nuno Bacelar
Capa com imagem de uma escultura hindú.
Edição com prefácio e nota à tradução por Nuno Bacelar e ainda explicata extra do editor sobre a tradução.

Monday, July 10, 2006

Algumas das mais importantes edições Afrodite

Colecção Afrodite

· Kama-Sutra: Manual do Erotismo Hindú, séc. v d. c. - Vatsyayana, 1965
· Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica: dos cancioneiros medievais à actualidade – Selecção, prefácio e notas de Natália Correia e ilustrações de Cruzeiro Seixas, 1966
· A Filosofia na Alcova - Marquês de Sade – Tradução de António Manuel Calado Trindade, prefácios de David Mourão-Ferreira e Luiz Pacheco, ilustrações de João Rodrigues, 1966
· Antologia de Poesia Portuguesa Erótica e Satírica: dos cancioneiros medievais à actualidade – Selecção, prefácio e notas de Natália Correia, edição “pirata” com selo do Rio de Janeiro, 19??
· A Vénus de Kazabaika - Leopold von Sacher Masoch, 1966
· Cara Lh Amas: Poemas eróticos e sarcásticos - E. M. de Melo e Castro, 1975
· O Supermacho - Alfred Jarry, 1975
· Antologia de Poesia Latina Erótica e Satírica, 1975
· Poesia Portuguesa Erótica e Satírica dos séc. xviii – xix, 1975
· A Filosofia na Alcova - Marquês de Sade – Tradução de Manuel João Gomes, 1976

Outros:

· Lugar de Massacre - José Martins Garcia, 1975
· Erros Meus, Má Fortuna, Amor Ardente - Natália Correia, 1981
· Peregrinação & Cartas – Fernão Mendes Pinto, 1989, 2 vol

Colecção Antologia

· Antologia do Conto Fantástico Português, 1967
· Antologia do Humor Português, 1969
· Antologia do Conto Abominável, 1969
· Antologia do Humor Negro – André Breton, 1973
· Antologia, De Fora Para Dentro, 1973
· Nova Recolha de Provérbios e Outros Lugares Comuns Portugueses, 1974
· Antologia do Conto Fantástico Português, 2ª edição: com revisão, anotações e prefácio de E. M. de Melo e Castro, 1974
· O Sexo da Moderna Ficção Científica – antologia de autores franceses, 1976

Colecção Clássicos

· Arte de Furtar – Anónimo do séc. xvii, 1970
· Peregrinação – Fernão Mendes Pinto, 1971, 2 vol.
· História Trágico-Marítima – Bernardo Gomes de Brito, 1972, 2 vol.
· Grande livro de S. Cipriano ou os tesouros do feiticeiro – S. Cipriano, ?
· O Manual dos Inquisidores – Nicolau Emérico, 1972
· O Processo dos Távoras: A Expulsão dos Jesuítas, Conselho de Ministros de D. José I, 1974
· Sobre as Feiticeiras – Jules Michelet, 1974

Colecção Ensaio/Documentos

· Nº1 - Anti-Duhring: Ou a subversão da ciência pelo sr. Eugénio Duhring Frederico Engels, 1971
· Nº 2 - A Sociedade do Espectáculo – Guy Debord, 1972
· Nº 3 - Teatro Vanguarda: Revolução e Segurança Burguesa – Fernando Luso Soares, 1973

Colecção Extra-Colecção

· Aventuras de Alice no País das Maravilhas - Lewis Carrol, 1971
· Apocalipse do Apóstolo João, 1972
· As Crianças Falam, 1973
· A Malcastrada - Emma Santos, 1975
· Do General ao Cabo Mais Ocidental – Álvaro Guerra, 1976

Colecção Antologia de Vanguarda

· 4 Autores da Novela Portuguesa Contemporânea – Sá-Carneiro, Almada, Manuel de Lima, Luíz Pacheco, ?

Colecções Autores I e II

· Alecrim, alecrim aos molhos... - José Martins Garcia, 1974
· O Uso e o Abuso – Armando Silva Carvalho, 1976
· O Encoberto – Natália Correia, 1977
· Revolucionários e Querubins - José Martins Garcia, 1977
· Textos Malditos - Luíz Pacheco, 1977

Colecção Sagir

· O Vinho e a Lira – Natália Correia, ?
· Insofrimento In Sofrimento, José Carlos Ary dos Santos, 1970

Colecção Cabra Cega (Infantil)
· 1 – Conversas Com Versos – Maria Alberta Menéres, 1968
· 2 – Afinal o Castelo Era Verdade – Júlio Moreira, 1968
· 3 – Os Quatro Corações do Coração – Ricardo Alberty, 1968
· 4 – Perrault Vai Contar – Maria Alberta Menéres, ?
· 5 – Histórias Com Juízo – Mário Castrim, ?
· 6 – Giroflé Giroflá – Alice Gomes, 1970
· 7 – Histórias de Bichos em África – Tais Ribas, 1970
· 8 – Ulisses – Maria Alberta Menéres, 1972
· 9 – A Nuvem e o Caracol – António Torrado, 1972
. 10 – Uma Rosa Na Tromba de Um Elefante – António José Forte, 1971
· 11 – Pinguim em Fundo Branco – António Torrado, 1973

Das colecções Guias, Documentos, Doutrina/Intervenção, destacamos alguns ensaios e documentos editados a partir de 1974, até início dos anos 80.

· Guia Prático do Trabalhador Português – Marcelo Curto, 1974 (Guias)
· A Metafísica do Sexo, Julius Evola, 1976
· 26 Anos na União Soviética, notas de exílio do “Chico da C.U.F” – Francisco Ferreira, 1975 (Documentos)
· A Vida Sexual de Robinson Crusoé – Michel Gall, 1978
· O Pequeno Livro Vermelho do Estudante – Soren Hansen e Jesper Jensen, 1977 (Guias)
· Mein Kampf – Adolf Hitler, 1976 (Doutrina / Intervenção)
· Os Normalizados – Christian Jelen, 1978 (Doutrina / Intervenção)
· Liberdade Para José Diogo, 1975 (Documentos)
· O Processo das Virgens: aventuras, venturas e desventuras sexuais em Lisboa, nos últimos anos do fascismo, 1975 (Documentos)

Friday, July 07, 2006

Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite

"Com a publicação integral do "Kâma Sûtra - Manual do Erotismo Hindu", iniciou-se em 1965 a Colecção Afrodite, que marca o começo da actividade de Fernando Ribeiro de Mello / Edições Afrodite, entre nós precursora e única, até ao 25 de Abril, na tentativa de divulgar certo tipo de obras "malditas" pela sacristia político-cultural em que os portugueses iam existindo e asfixiando.
Conforme eram lançadas, todas as edições desta Colecção foram imediata e inquisorialmente apreendidas pela Polícia Judiciária e pela PIDE-DGS e, duas delas, até acusadas, julgadas e condenadas pelo fogo fascista do Tribunal Plenário de Lisboa."

Texto na badana da edição: O Supermacho, Alfred Jarry, Edições Afrodite / Fernando Ribeiro de Mello - 1975.